Bandeira branca

Novembro 29, 2009

Imagine um telefonema interrível de um momento de inspiração. Que raiva que chatice que horror de técnica essa já não tão nova. Se desespera e pensa não atender mas atende no segundo toque logo já; seu dedo para de falar para dar vez à língua dentada engrenante que nem roda já tanto assim. E então fala. Até acha bom falar depois que começa; tem amigos. Ri – até que muito, sim. Saliva perdigotos de alegria – não de felicidade, que é no fundo, desespero de ser feliz. Fecha o aparelho na parte mole que possui. Pensa e volta a olhar o chão, ou a parede, mas nunca o teto; que para isso tem de levantar a cabeça. A inspiração se foi. Espera voltar, como se o chão ou a parede fosse parir uma epifania. Mas não há parteiro. Então pensa na pessoa que falou. Poderia ser qualquer, desde um vendedor – mesmo sabendo não ser – até um grande amigo ou amante. Aquela pessoa, que seja quem, muito que provavelmente está igual, esperando o nascimento de uma inspiração, ou de um alento; ambos que servem para mascarar a solidão. A pessoa que não é você é igual a você; só teve a iniciativa de apertar os botões da técnica. E a inspiração volta.


Papapirotecnico pederasta

Outubro 28, 2009

Nem por essas nem por outras! Quiçá nos áureos greco-tempos a pederastia não fizesse mal algum; e que de normalidade ímpar se teriam os mestres satisfeitos pelos ninfos; aquele regozijo matinal seria mais molhado que pão de centeio em leite de teta. Mas não…

Os tempos eram outros e ainda o são! Santos não tem Pelé mas têm pau oco; dotados todos de dotes maravilhosos estupefatos e estapafúrdios nacionais. Os padres e papa seguem a tendência certo? Mas são laicos e não passam de lacaios do demônio – que relativizado, têm por nome “humano”.

E então que Baltazaire – feio era –  se entropia de fogo. Rabo de dragão, catcha farai, tijuco preto, varinha mágica de Judá, são-joão-é-pouco. “Tá saindo fogo desse rabo!”. “Te pariu – pelo rabo – ?”.

- Te puta que o!

- Que puta que ô? Só onda só!

Foi difícil tirar as faíscas das ancas de Baltazaire. E outra: mesmo quando tiradas, ainda estavam lá; fogo no rabo de dragão junto com varinha mágica de Judá nunca dava certo… Mas era tão gostoso!

O bicho papão não dizia não nem dizia deixar. “Tiosso?” “Tiursaaa!”.

- Nem que tussa tua mãe, belzebu desalmado!

Vaticano diz:

- Festa dos Santos virgens da Judéia avisa: Proibida a entrada de mulheres no decorrer da festança patriarcal aristocrata apostólica grega. Motivo: questão de gosto e preferencial papal.

- E que comecem os fogos! E quem não tiver fogo no rabo, nem de dragão, nem no próprio, nem perto aconchegue seu falo cajado de profeta! E digo: Judá é meu!

Nas desandanças e desavenças da festa não poderia ser diferente:

- Ai ai, Judá, queimastes e paristes meu falo acefálico cajado!

- Não só ele, antigo senhor, mas sua rosca não saiu ilesa.

E enfiou-lhe o cajado rijo garganta anal adentro; e assim foi o primeiro golpe no Estado do Vaticano – golpe anal.


Ruas iluminadas mas nem tanto também iluminadas

Agosto 5, 2009

Quero aprender a tocar trompete e soprar sons com a boca do modo que os imagino; sublimes sons amarelos metálicos materiais e nada materiais, da alma. Quero até tocar piano – por quê não? apertar devagarzinho a tecla e fazer dela um som estrondoso de virtuosidade mágica efervescente. Depois quero ser surdo pra testar a sinestesia da surdez; quero ser um vagabundo e não saber tocar nada mas querer aprender sem o míninfimo esforço. Quero tomar esteróides para que me achem mais bonito do que sou e depois parar de tomá-los quando perceber que a minha beleza é coisa de mais uns dez anos e que minha inteligência é mais sexy que meu peitoral. Quero acentuar “idéia”; afinal ela é minha mesmo. Não quero aderir à nova regra da língua portuguesa, como não queriam os antigos aderir à que eu defendo com punhos de ferro e socos ingleses – mesmo sendo tupiniquim; sou um homem contemporâneo que as vezes quer ser clássico, mas na verdade sou pra lá de meu tempo e Bagdá que se cuide porque a Babilônia não está tão longe assim. Quero fazer amor com as minhas antigas namoradas; até me arrepender e deixar tudo pra lá e conhecer novas mulheres para se tornarem antigas e sentir saudade das novas antigas e das outras também e ficar na mesma sempre, recorrendo aos amigos e esteróides. Quero entender o pós-modernismo; não quero entender o pós-modernismo, quero senti-lo e vivê-lo. Urinarei em torneiras de leitura do consumo de água de casa de pessoas ricas para que ao abrirem o registro sujem suas mãos com meu excremento e todas as substâncias ruins que meu corpo não quis nem de graça, como aqueles potinhos de amendoins vencidos que os butecos de primeira dão aos cães-clientes; e que quando o trabalhador for ler o que diz o relógio d’água, sinta o cheiro do meio, meu, nem ele nem o dono. Eu e meus amigos somos a reencarnação – mesmo sendo todos ateus – da geração beat; é fato. Não sabemos quem é Kerouac, Ginsberg, Burroughs, Neal, Sal Paradise, Carlo Marx, Old Bull Lee ou Dean Moriarty, mas somos eles; fantasmas; e acreditamos nisso sem erro, assim como Tim Maia acreditava no Universo em Desencanto. Quero ser conhecido pela loucura criativa e cômica que já sou conhecido; ter a fama de intelectual rebelde anarco-sindicalista, palhaço, ser querido por todos – até pelas pessoas feias, quero ser apreciado sim, por quê não? Minha altura é de quilômetros; meu ego é do tamanho da china vermelha que mata seus cidadãos por qualquer merda para balancear a gangorra natalidade/mortalidade. Mas eu não sou esse palhaço feliz, maluco e entusiasmado. Não sou como imaginam, nem Syd Barret. É difícil ser eu; e como! Sou um caminhão-carro-ônibus que Cassady dirigia numa ladeira paulistana sem freio e com dois elefantes no porta-luvas mais uma galinha em meu colo. Escalo abismos, dois pelo menos, em mim e depois me jogo pra escalar novamente – meus joelhos reclamam, mas meu médico continuar a recomendar atividades físicas. Não sei a diferença entre fácil e difícil, entre amor e ódio, alegria e tristeza, euforia e desespero; as antíteses me incomodam, mas amo elas e me fazem bem. Se não fosse o governo pra me dizer o que é certo e errado, o que eu faria? Não queria que soasse como manifesto-poema-em-prosa de Allen Ginsberg, mas já era! Quero ser ele; mas não. Quero a inspiração suada suja de trilhos e fuligem da urbe dele. Mudo a geração futura que não verei ser mudada por mim e comida pela próxima, como comi, vomitei e serei comido. Quero masturbar minha mente com piadas inteligentes de Monty Python e Woody Allen; e também meditar tanto que o niilismo não saia mais e espere a morte de bigode com antibióticos intra-venais. Eu existo; aliás nunca vi nada igual; eu e meu amigos rendemos que não quem diga; somos mulheres rendeiras sem carteira assinada e dores nas juntas. Ando ao meio de bandidos declarados e alguns nem tanto. Quero entender porque a vida é bonitriste; preciso de um vocabulário novo pra explicar meus sentimentos; pelo menos a linguagem do sentimento funciona com alguns. Sou a beleza que chora de tão bonita e urina nas próprias canelas calejadas para espantar os mosquitos.


Alaiê maculelum de bumbum palmito

Julho 31, 2009

Como é? Assombrações e presença demoníaca? O que seria se não essa, a resposta à polêmica em um programa de televisão: Casal negro tem filho loiro! “Nem tão negro assim”, diria um amigo do referido casal, referindo-se a eles; como se a negritude fosse ruim. Quando um amigo se diz negro, há quem queira dizer que não, como se fosse um demérito do negão. “Negão, nem vem, parcero, você é moreninho… Preto mesmo é o Isaias… raparigo azul que só ele!”. Nesse caso então… eufemismos de cor são ainda mais cabíveis, pois além de imacular, desfadar o casal, ainda se explica a origem da loiritude, caucasianidade, ou seja, a branquitude do júnior. De um casal negro seria impossível nascer um loiro ariano, de graça Adolfo. “Buiuzinho, qual é sua graça?”

- Queimar judeus, mamãe. Retruca Dolfinho.

De negrões não nasceria… Assim abririam-se alusões desrespeitosas e desonrosas com respeito ao negro macho do casal… ainda mais quando sua esposa era freguesa assídua da borracharia e pizzaria do Alemão – a não ser que seu marido tivesse em sua árvore genealógica, um pezinho na Finlândia, grande exportadora de escravos, como se sabe ao analisar a História; ou quem sabe o marido tivesse algum ancestral que trabalhasse na Alemanha cristã, grande exportadora de negros padres, como se sabe ao ler Nietzsche.

Agora muito mais cabível – e disso a importância do eufemismo – seria a possibilidade do abrandamento da cor do casal… joguem eles na máquina com cândida e tudo fica mais plausível, claro… pois de um casal moreno é muito mais fácil nascer um albino dourado e liso. Essa seria a resposta óbvia em contraponto às assombrações e presença demoníaca!

A apresentadora, sagaz e astuta que só ela então, ao invés de polemizar sobre adultérios, fica na questão racial… O casal é negro ou moreno? “Não consideraria vocês negros, afinal, conheço gente muito mais negra que vocês”… e seguindo esse raciocínio, passando por tucanos, jacarés e índios negros – e mais aspectos da natureza divina brasileira (parecia que a apresentadora tinha fumado salvia divinorum, utilizada em rituas xamanísticos que sempre rementem à natureza, pelo menos em brasileiros – ela chegou até o petróleo; “vejam o petróleo, combustível fóssil, logo veio dos ossos que são brancos como as plumas de gansos brancos… ele ficou preto; o mais preto que se há na natureza… portanto vocês não são negros. E se fossem, não seriam mais que o petróleo, que mesmo assim negro que só ele, veio do branco osso; é um combustível preto de alma branca’”, disse a apresentadora abrindo e mostrando todo seu leque de conhecimento de geologia.

Ao fim da prolixíssima discussão, soube-se que enfim, o menino havia acabado de entrar no livro dos recordes por ser o primeiro branco a participar do Olodum e dizendo: “obum dim dum; alaiê maculelum!”


Musicas tortas proporcionam…

Julho 20, 2009

músicas repetidas de milhares expulgares; sussuros musicais no ritmo e gente ouvindo arranhões metálicos orgânicos por classificação, assim como tudo; e fazem mil coisas e uma volta ao começo da repetição desatina novas facetas mutiladas para todos preâmbulos necessários à mudança de persona… gemidos e espasmos; espasmos pasmos tamanha brutalidade frenética das ruas de todos os lugares… espasmos espasmos espasmos; es pasmos asfixiados preguiçosamente… tremendo!


Limite

Junho 9, 2009

Inconsciência magnífica! Seres acéfalos que sabem de tudo da noite…morte precoce e leite ruim a eles! Deixem a inconsequência reinar em mim, senhores todos; só ele poderá mudar o mundo…depois de jovem vira estátua que leva na barriga da tartaruga as vontades da inconsequência des-aventurada e convicções cárceres delas próprias: “Liberdade! Desapego! Acriminoso!”… Não. Só dispensaria mesmo os amores esperados ainda que des-esperados e inertes, zero que quer ser infinito, apesar de ser ambos. Minha mente é uma infinita reticências cheia de parênteses – ou colchetes – nos intervalos três-pontais. Não preciso de foguetes para alcançar o vácuo. [Aliás, é essa a conversa quando Nietzsche e Hamlet andam de mãos dadas pelas ruas de bares em esquinas com sinucas e poeira pelas ruas da humanidade]. Sou tanto que viro nada. Sempre na linha, no limite da corda bamba das dicotomias; hora pendo pra lá, hora pra cá; hora desabo de ancas em um, hora flutuo por outro. Mas sempre no meio, onde tudo bombardeia, onde os conflitos se dão e são. É um tanto doloroso estar onde estou, diria Fausto.


Apologia ao suicídio

Junho 2, 2009

Quem dera a morte me abraçasse! Um aconhego enfim! Sofro de morte generalizada… Preocupante, dizem por aí. Larápios de orgãos do governo me esperam ouvindo jazz em cada esquina. Caido; pulando no chão de ataque amoroso no meio da guia; virado bixo do mato sem asas que voa; pula e tenta voar; tenho forças nas patas; consciência também ainda. Voaria perfeitamente. Não fossem meninos com cigarrilhas que me tiraram as asas de cigarra; agora só posso cantar… Mas que música triste e sem asas. Acho que preciso de um magnopirol contra a loucura, a surtadez, a pirol! Os livros são todos muitos belos, mas as bibliotecas criam mofos e rinites violentas. A violência nunca é de bom grado e no entanto sou violentado minutamente por mim, ou por aquilo que chamo de eu que sou quem? Tenho a doença dos pensantes e ainda por cima nasci sonhador; de que adianta um romântico pós-modersnista, pai…?


Literfagia

Maio 24, 2009

Foram criadas hoje lá pelas tantas da matina, matutas idéias literarias um tanto quanto maduras cheias de brochuras e novidades carcumidas insubstituíveis, trocadas por outras lá pelas poucas do dia. Foram criadas hoje lá pelas poucas do dia, matutas idéias literarias um tanto quanto, mas nem tanto maduras, cheias de brochuras e novidades velhas carcumidas, comidas pelo tempo que é instantâneo e atemporal; atemporal? E de que adianta tantas varguandas nessa literfagia se as vanguardas tem seus quinze minutos de dança e depois se literfagem? Que mais valha uma experiência de quinze minutos do que de nenhum. É fato: algo que já durou, posto passado, só pode durar mais, nos doravantes e nunca menos, nos passadantes.

E qual a razão disso tudo? Razão… Oh razão de tanto porém e disturbios aluci-dilacerantes. Nessas épocas de razão é facil perdê-la. A literfagia é boa por isso, é totalmente racional contra o cartesianismo, o qual criou a razão e a luz; e por conseguinte a loucura. Ela – fagia – se auto-compreende e se auto-mutila, contradiz e diz e desdiz e rediz e não diz. Literfajuta?

Literfazia. Agora outra faz…


Diadia

Maio 9, 2009

- Quantos dias são essa semana?

- Cinco já se hão, meu rei!

- Pois bem! E que cinco dias se estão por mim… A meu ver, digo, penso eu que não se tem passado nenhum dia. Quantas oscilações de césio são um dia? Que tempos estes! Meu passado não me condena de modo algum, digo; que passado me contém? que lembranças eletro-cerebrais me concebem? O tempo me pare a todo instante; nunca morro; sempre não sou o mesmo, mas nunca não sou o que não fui; se um dia fui…

Após relutar um pouco, conversa Frido consigo…

- O que você acha disso?

- Acho eu, creio pois numa tal opnião: quem me faz? o que não consciencío, mas me guia – principalmente ao psicólogo? ou serei o que me mostro aos de fora? – sociedades e carnívoros de carnes porém não canibais – ou então seria eu, no caso, o mediador político entre ambos? ou quem sabe a mistureba de feijão e farinha de tudo quanto foi dito?

- Que parte de mim pergunta? que parte responde?

Nesse interím mudo, o submisso ao “meu rei” apenas observa; Frido nem sabe se existe tal persona; seria apenas ele personagem de seus devaneios?

- Meu rei, que pensas nesse todo tempo nenhum?

- Pensava eu…

que existem excêntricos que vivem dizendo querer ir à uma tal de florída meame… deve ser alguma floresta de indígenas estrangeiros pela filologia, não?

- De certo, senhorzinho nosso; pelo que soas e por quem diz, não nem que fazer furor mais algum sobre terra já batida. Talvez sejam até uns afenidados que por lá hão naquelas terras de tios sânscritos, como diz Papajoulo, o ancião há legua meia daqui.

- Mas ó! que insolências tuas; por mais que sejas de fato o que se passa em terras aqui não situadas, que mal há em boiolices?

- Apeteces por tal gênero, meu rei?

- Mas tu! cada vez ultrajes magnânimos!

- Perdão…não hei de abrir matraca mais não!

- É claro que não afeminino minha masculinidade; mas pra que fechamentos? Não sou heterosexual fanático também…

- Ahh…

E assim se explica o diadia.


O triste skinhead

Abril 27, 2009

Aurora marcial de março; um dia titónico típico para novos começos:

- Por favor, senhor Lacaio, gostaria de fazer o meu pedido.

Depois da indiferença servil e do silêncio afórmico:

- Gostaria de um coturno anti-semita das antigas – fivelado e encouraçado, uma camiseta regata alva e uma destruição – e lavagem – cerebral com destino à acefalidade.

Em tempos poerais – pueril nada há de virginal – afora a cocaína produzida nas friacas de cadeias montanhosas ressecadas e úmidas. Embaladas por saliva em folha de nativos com gorros e índios; profetas da nova tendência servil.

- Dessa nova tendência, devo eu fazer o que? Todos querem mudar o mundo, mas o mundo é muito grande. Jogam todos na frigideira, seus órgãos cabeça-mentais e gritam: “Frite frite frite! No azeite ou manteiga? Frite!”. O mundo é muito grande. É grandioso o mundo. Que grande! E meu coturno reluz o desespero do mundo. Moro em meu coturno.

O negócio é descer botinadas!