Nem pro purgatório

setembro 8, 2011

        Compulsoriamente pintava o fundo branco recortado em azul, o artista. Levava o tempo necessário em cada parte, cada passada do instrumento calibrado era pensada por interíns e hiatos temporais mirabolantes, de modo que era longuíssima a duração da criação. E ainda assim a cada mísero ato realizado, um regozijo ricocheteava nos fundilhos de sua cabeça; as vezes pfiu! as vezes pfto! Sua feição mudava em todos esses pequenos – apesar de longos – momentos e assumia feições de um príncipe dinamarquês, cujo nome havia de ser Frederico ou Henrique, evidente. Cabelo moreno liso estilo peruca em que as pontas caem perto das orelhas e no meio da tez-ta, obesidade leve do tipo que há em crianças  responsável com uma porcentagem – que alguns jornalistas chamariam de significativa – significativa pela fofura a elas atribuído mas que desaparecerá ao chegar a adolescência e ilustrará contornos e recheios de uma pessoa saudável. Olhos cinzas-esverdeados de preferência.

           O que havia de ser segredo era o anexo do prazer, dicotomicamente a endorfina com vazão gigantesca era alimentada por dois fluentes: o ato pelo ato – um tanto canibalístico mas não há mais tanta cara feia com isso nesses tempos – e a auto-apreciação e reabastecimento sanguíneo nas veias azuis do ego. Na veia, percebe? Disso notava-se a roxidão, mistura de carne azul e sangue nobre; viva: roxo, preto e nos limites das gradações cromáticas, um azul vivo movimenta-se e retém-se, esquenta e esfria mas nunca recomeça o ciclo, estagna.

            A sequência era previsível e deletéria: príncipe dinamarquês morto, cigarro aceso. Aquele homem não consegue criar sem vangloriar-se e deleitar-se consigo próprio (afinal os cigarros estão caros, só se ascende um se muito importante ou recompensante¹), com suas veias gritando “socorro” ironicamente e a lua de minguante migrando à zombeteira e observadora; de pecados e brilhantismos, nessa ordem.

         O problema de comportar-se assim é a existência dialética entre a estafa imatura, a ejaculação precoce mental e a saturação dissimulada do ego – que se confundem. Um estaciona feito cavalo paraguaio na insuficiência incerta de um “aquém” e a outra satisfaz o pedestal do louro da vitória até cabalísticamente dizer chega – em mantra: chega; até pedir

            .

¹ A relação de recompensa de um cigarro funciona da seguinte forma: ao fumar um cigarro quando se levanta, ou após o almoço há um sentimento de missão comprida, de satisfação, que só não é maior do que o cigarro pós-foda. Mas há aqueles se fuma por compulsão, seja por estar conversando com alguém que fuma e essa ação é espelhada, seja por estar bêbado ou bebendo. Esse segundo tipo de cigarro deve ser evitado dado o preço do menino; cada momento há de ser guardado para um cigarro.


Faca amolhada

agosto 11, 2010

O silêncio era cortante de fato. Depois de algum álcool e alguma fumaça, quê dizer? Ambos esperavam do outro o que havia na ponta da língua, na ponta da faca metálica e reluzente que deslizava por uma corda de tripa de porco no alpendre escuro e sucinto. Minimalista, cru e nu.

Não havia mais ninguém além dos dois. Alhures jaziam em suas respectivas camas as companhias entorpecidas da noite findada. Que noite. Que nada. “Que cabelo… cheiro encaracolado”. A faca não dizia nada mas estava pronta para cortar; tortamente que fosse.

Movimento. Aproxima-se da moça cheirolada – meio esfumacenta e enrolada; exalando à lenha, cerveja e pensamentos dicotômicos multi-facetados-coloridos-efêmeros que passavam pela sinopse da queratina de seu cachos negros, roxos, azuis. Naturalmente encaixa suas coxas nas dela. coxa-macho/cocha-fêmea/cocha-macho/coxa-fêmea. A mão esquerda pairando gentilmente sobre a coxa-fêmea desprotegida – a última de suas duas coxas; a que não possui uma coxa-macho de ambos lados.

Seu corpo nu por debaixo da roupa, animal e feminino é como um rio, uma nascente, de água e de arrepio, pestanejando ensaia uma interjeição negativa; positiva que fosse. Não.

Além da mão protetora da coxa, eleva a outra na nuca de emaranhado elixir. Amarra alguns fios em torno da mão cabeluda de modo que os pelos se confundem numa sinestesia de sabor e fragrância. Dessa vez não é um toque gentil, puxa na medida certa – entre a dor e o prazer. Agora o rio é não-navegável, o volume de água aumenta e é perigoso praticar a natação em suas águas. Com a mesma mão separa-se o cabelo do pescoço, branco, alvo de investidas mentais. O alpendre vai gradativamente anuviando-se e despindo-se.

A ocasião não poderia ser melhor; a barba tendo sido feita apenas há três dias, teria o efeito desejado. Seu queixo, não tão masculino, nem tão feminino – um tanto redondo porém alongado, apontando seu objetivo – rasparia na alvidez tenra na medida certa, causando o efeito desejado; dor e prazer. Feito. Passado a parte entre o final do trapézio e o começo do lóbulo da orelha esquerda, tudo que se ouvia além do atrito da pele e do rio passando era “hmm”.

O queixo áspero e carinhoso dá lugar à língua ensalivada e redonda. A medida que subia a língua, o alpendre ia ficando cada vez mais nu, desprotegido e encharcado. Bolinhas rosas da ponta da língua roçavam pelo ouvido-fêmea gentilmente, lavando alguns poucos – talvez três, quinze – fios de cabelos, deixando os retos feito o queixo do executor. A faca cintilante no alpendre agora era fosca e submersa na água nunca antes tão abundante do rio. Oceano.

- Acho que devemos parar por aqui.


Gerônimo e papai

agosto 2, 2010

Um samba que jazz: lucubrações latinas americanas; lúgubres tan-tans saem do calor húmido e esvaem até a vociferação da urbe sem tempo de ser triste. Não é triste. Dizem; dito.

Um filho de meia idade e um pai. Cheio de amor e espaço; desvontade e medo. É audível a bons ouvidos:

- Pro caralho!

- Como é andar vacilando e hesitante? Os carros desfilando em petróleo prensado, querendo voltar para seu estado de mineral viscoso ocre; tenro e estático. Pessoas maquinando nos bons trabalhos e ultrapassando tudo e todos para menos tempo em contato com os deprimentes excluídos invisíveis gritantes. Fôlego. Pausa. Tempo. Quero você como meu; não sou mais seu nem quero me tornar igual a ti. Devastar-te-ei como pesquisa antropológica para meu futuro não-ser.

O fio comendo solto, sem dó a borracha tenta derreter o asfalto; o atrito e a gravidade irredutíveis como sempre. Aptidão.

- Como é ser martelado contra diamante pelo tempo? Por que emprestar sua energia vital pra ele? Me instrua. Pai! Te peço uma ação, verbo: Pai!

Os anos de negação e indiferença não vencem a urgência do momento e, pela primeira vez, pai. Ouve a súplica do filho.

- Aconselha-me, toma atitude!

- Te amo – e o empurra ao tapete preto e branco.

Pela primeira vez foi pai. E podia afirmar que dos bons; se realizou mesmo que por alguns segundos – minutos ou mais minutos, não importava-se com o tempo há tempos – pois fez seu filho feliz. Um samba que jazz e a irredutibilidade da gravidade.


Bandeira branca

novembro 29, 2009

Imagine um telefonema interrível de um momento de inspiração. Que raiva que chatice que horror de técnica essa já não tão nova. Se desespera e pensa não atender mas atende no segundo toque logo já; seu dedo para de falar para dar vez à língua dentada engrenante que nem roda já tanto assim. E então fala. Até acha bom falar depois que começa; tem amigos. Ri – até que muito, sim. Saliva perdigotos de alegria – não de felicidade, que é no fundo, desespero de ser feliz. Fecha o aparelho na parte mole que possui. Pensa e volta a olhar o chão, ou a parede, mas nunca o teto; que para isso tem de levantar a cabeça. A inspiração se foi. Espera voltar, como se o chão ou a parede fosse parir uma epifania. Mas não há parteiro. Então pensa na pessoa que falou. Poderia ser qualquer, desde um vendedor – mesmo sabendo não ser – até um grande amigo ou amante. Aquela pessoa, que seja quem, muito que provavelmente está igual, esperando o nascimento de uma inspiração, ou de um alento; ambos que servem para mascarar a solidão. A pessoa que não você é igual a você; só teve a iniciativa de apertar os botões da técnica. A inspiração volta.


Papapirotecnico pederasta

outubro 28, 2009

Nem por essas nem por outras! Quiçá nos áureos greco-tempos a pederastia não fizesse mal algum; e que de normalidade ímpar se teriam os mestres satisfeitos pelos ninfos; aquele regozijo matinal seria mais molhado que pão de centeio em leite de teta. Mas não…

Os tempos eram outros e ainda o são! Santos não tem Pelé mas têm pau oco; dotados todos de dotes maravilhosos estupefatos e estapafúrdios nacionais. Os padres e papa seguem a tendência certo? Mas são laicos e não passam de lacaios do demônio – que relativizado, têm por nome “humano”.

E então que Baltazaire – feio era –  se entropia de fogo. Rabo de dragão, catcha farai, tijuco preto, varinha mágica de Judá, são-joão-é-pouco. “Tá saindo fogo desse rabo!”. “Te pariu – pelo rabo – ?”.

- Te puta que o!

- Que puta que ô? Só onda só!

Foi difícil tirar as faíscas das ancas de Baltazaire. E outra: mesmo quando tiradas, ainda estavam lá; fogo no rabo de dragão junto com varinha mágica de Judá nunca dava certo… Mas era tão gostoso!

O bicho papão não dizia não nem dizia deixar. “Tiosso?” “Tiursaaa!”.

- Nem que tussa tua mãe, belzebu desalmado!

Vaticano diz:

- Festa dos Santos virgens da Judéia avisa: Proibida a entrada de mulheres no decorrer da festança patriarcal aristocrata apostólica grega. Motivo: questão de gosto e preferencial papal.

- E que comecem os fogos! E quem não tiver fogo no rabo, nem de dragão, nem no próprio, nem perto aconchegue seu falo cajado de profeta! E digo: Judá é meu!

Nas desandanças e desavenças da festa não poderia ser diferente:

- Ai ai, Judá, queimastes e paristes meu falo acefálico cajado!

- Não só ele, antigo senhor, mas sua rosca não saiu ilesa.

E enfiou-lhe o cajado rijo garganta anal adentro; e assim foi o primeiro golpe no Estado do Vaticano – golpe anal.


Ruas iluminadas mas nem tanto também iluminadas

agosto 5, 2009

Quero aprender a tocar trompete e soprar sons com a boca do modo que os imagino; sublimes sons amarelos metálicos materiais e nada materiais, da alma. Quero até tocar piano – por quê não? apertar devagarzinho a tecla e fazer dela um som estrondoso de virtuosidade mágica efervescente. Depois quero ser surdo pra testar a sinestesia da surdez; quero ser um vagabundo e não saber tocar nada mas querer aprender sem o míninfimo esforço. Quero tomar esteróides para que me achem mais bonito do que sou e depois parar de tomá-los quando perceber que a minha beleza é coisa de mais uns dez anos e que minha inteligência é mais sexy que meu peitoral. Quero acentuar “idéia”; afinal ela é minha mesmo. Não quero aderir à nova regra da língua portuguesa, como não queriam os antigos aderir à que eu defendo com punhos de ferro e socos ingleses – mesmo sendo tupiniquim; sou um homem contemporâneo que as vezes quer ser clássico, mas na verdade sou pra lá de meu tempo e Bagdá que se cuide porque a Babilônia não está tão longe assim. Quero fazer amor com as minhas antigas namoradas; até me arrepender e deixar tudo pra lá e conhecer novas mulheres para se tornarem antigas e sentir saudade das novas antigas e das outras também e ficar na mesma sempre, recorrendo aos amigos e esteróides. Quero entender o pós-modernismo; não quero entender o pós-modernismo, quero senti-lo e vivê-lo. Urinarei em torneiras de leitura do consumo de água de casa de pessoas ricas para que ao abrirem o registro sujem suas mãos com meu excremento e todas as substâncias ruins que meu corpo não quis nem de graça, como aqueles potinhos de amendoins vencidos que os butecos de primeira dão aos cães-clientes; e que quando o trabalhador for ler o que diz o relógio d’água, sinta o cheiro do meio, meu, nem ele nem o dono. Eu e meus amigos somos a reencarnação – mesmo sendo todos ateus – da geração beat; é fato. Não sabemos quem é Kerouac, Ginsberg, Burroughs, Neal, Sal Paradise, Carlo Marx, Old Bull Lee ou Dean Moriarty, mas somos eles; fantasmas; e acreditamos nisso sem erro, assim como Tim Maia acreditava no Universo em Desencanto. Quero ser conhecido pela loucura criativa e cômica que já sou conhecido; ter a fama de intelectual rebelde anarco-sindicalista, palhaço, ser querido por todos – até pelas pessoas feias, quero ser apreciado sim, por quê não? Minha altura é de quilômetros; meu ego é do tamanho da china vermelha que mata seus cidadãos por qualquer merda para balancear a gangorra natalidade/mortalidade. Mas eu não sou esse palhaço feliz, maluco e entusiasmado. Não sou como imaginam, nem Syd Barret. É difícil ser eu; e como! Sou um caminhão-carro-ônibus que Cassady dirigia numa ladeira paulistana sem freio e com dois elefantes no porta-luvas mais uma galinha em meu colo. Escalo abismos, dois pelo menos, em mim e depois me jogo pra escalar novamente – meus joelhos reclamam, mas meu médico continuar a recomendar atividades físicas. Não sei a diferença entre fácil e difícil, entre amor e ódio, alegria e tristeza, euforia e desespero; as antíteses me incomodam, mas amo elas e me fazem bem. Se não fosse o governo pra me dizer o que é certo e errado, o que eu faria? Não queria que soasse como manifesto-poema-em-prosa de Allen Ginsberg, mas já era! Quero ser ele; mas não. Quero a inspiração suada suja de trilhos e fuligem da urbe dele. Mudo a geração futura que não verei ser mudada por mim e comida pela próxima, como comi, vomitei e serei comido. Quero masturbar minha mente com piadas inteligentes de Monty Python e Woody Allen; e também meditar tanto que o niilismo não saia mais e espere a morte de bigode com antibióticos intra-venais. Eu existo; aliás nunca vi nada igual; eu e meu amigos rendemos que não quem diga; somos mulheres rendeiras sem carteira assinada e dores nas juntas. Ando ao meio de bandidos declarados e alguns nem tanto. Quero entender porque a vida é bonitriste; preciso de um vocabulário novo pra explicar meus sentimentos; pelo menos a linguagem do sentimento funciona com alguns. Sou a beleza que chora de tão bonita e urina nas próprias canelas calejadas para espantar os mosquitos.


Alaiê maculelum de bumbum palmito

julho 31, 2009

Como é? Assombrações e presença demoníaca? O que seria se não essa, a resposta à polêmica em um programa de televisão: Casal negro tem filho loiro! “Nem tão negro assim”, diria um amigo do referido casal, referindo-se a eles; como se a negritude fosse ruim. Quando um amigo se diz negro, há quem queira dizer que não, como se fosse um demérito do negão. “Negão, nem vem, parcero, você é moreninho… Preto mesmo é o Isaias… raparigo azul que só ele!”. Nesse caso então… eufemismos de cor são ainda mais cabíveis, pois além de imacular, desfadar o casal, ainda se explica a origem da loiritude, caucasianidade, ou seja, a branquitude do júnior. De um casal negro seria impossível nascer um loiro ariano, de graça Adolfo. “Buiuzinho, qual é sua graça?”

- Queimar judeus, mamãe. Retruca Dolfinho.

De negrões não nasceria… Assim abririam-se alusões desrespeitosas e desonrosas com respeito ao negro macho do casal… ainda mais quando sua esposa era freguesa assídua da borracharia e pizzaria do Alemão – a não ser que seu marido tivesse em sua árvore genealógica, um pezinho na Finlândia, grande exportadora de escravos, como se sabe ao analisar a História; ou quem sabe o marido tivesse algum ancestral que trabalhasse na Alemanha cristã, grande exportadora de negros padres, como se sabe ao ler Nietzsche.

Agora muito mais cabível – e disso a importância do eufemismo – seria a possibilidade do abrandamento da cor do casal… joguem eles na máquina com cândida e tudo fica mais plausível, claro… pois de um casal moreno é muito mais fácil nascer um albino dourado e liso. Essa seria a resposta óbvia em contraponto às assombrações e presença demoníaca!

A apresentadora, sagaz e astuta que só ela então, ao invés de polemizar sobre adultérios, fica na questão racial… O casal é negro ou moreno? “Não consideraria vocês negros, afinal, conheço gente muito mais negra que vocês”… e seguindo esse raciocínio, passando por tucanos, jacarés e índios negros – e mais aspectos da natureza divina brasileira (parecia que a apresentadora tinha fumado salvia divinorum, utilizada em rituas xamanísticos que sempre rementem à natureza, pelo menos em brasileiros – ela chegou até o petróleo; “vejam o petróleo, combustível fóssil, logo veio dos ossos que são brancos como as plumas de gansos brancos… ele ficou preto; o mais preto que se há na natureza… portanto vocês não são negros. E se fossem, não seriam mais que o petróleo, que mesmo assim negro que só ele, veio do branco osso; é um combustível preto de alma branca’”, disse a apresentadora abrindo e mostrando todo seu leque de conhecimento de geologia.

Ao fim da prolixíssima discussão, soube-se que enfim, o menino havia acabado de entrar no livro dos recordes por ser o primeiro branco a participar do Olodum e dizendo: “obum dim dum; alaiê maculelum!”


Musicas tortas proporcionam…

julho 20, 2009

músicas repetidas de milhares expulgares; sussuros musicais no ritmo e gente ouvindo arranhões metálicos orgânicos por classificação, assim como tudo; e fazem mil coisas e uma volta ao começo da repetição desatina novas facetas mutiladas para todos preâmbulos necessários à mudança de persona… gemidos e espasmos; espasmos pasmos tamanha brutalidade frenética das ruas de todos os lugares… espasmos espasmos espasmos; es pasmos asfixiados preguiçosamente… tremendo!


Limite

junho 9, 2009

Inconsciência magnífica! Seres acéfalos que sabem de tudo da noite…morte precoce e leite ruim a eles! Deixem a inconsequência reinar em mim, senhores todos; só ele poderá mudar o mundo…depois de jovem vira estátua que leva na barriga da tartaruga as vontades da inconsequência des-aventurada e convicções cárceres delas próprias: “Liberdade! Desapego! Acriminoso!”… Não. Só dispensaria mesmo os amores esperados ainda que des-esperados e inertes, zero que quer ser infinito, apesar de ser ambos. Minha mente é uma infinita reticências cheia de parênteses – ou colchetes – nos intervalos três-pontais. Não preciso de foguetes para alcançar o vácuo. [Aliás, é essa a conversa quando Nietzsche e Hamlet andam de mãos dadas pelas ruas de bares em esquinas com sinucas e poeira pelas ruas da humanidade]. Sou tanto que viro nada. Sempre na linha, no limite da corda bamba das dicotomias; hora pendo pra lá, hora pra cá; hora desabo de ancas em um, hora flutuo por outro. Mas sempre no meio, onde tudo bombardeia, onde os conflitos se dão e são. É um tanto doloroso estar onde estou, diria Fausto.


Apologia ao suicídio

junho 2, 2009

Quem dera a morte me abraçasse! Um aconhego enfim! Sofro de morte generalizada… Preocupante, dizem por aí. Larápios de orgãos do governo me esperam ouvindo jazz em cada esquina. Caido; pulando no chão de ataque amoroso no meio da guia; virado bixo do mato sem asas que voa; pula e tenta voar; tenho forças nas patas; consciência também ainda. Voaria perfeitamente. Não fossem meninos com cigarrilhas que me tiraram as asas de cigarra; agora só posso cantar… Mas que música triste e sem asas. Acho que preciso de um magnopirol contra a loucura, a surtadez, a pirol! Os livros são todos muitos belos, mas as bibliotecas criam mofos e rinites violentas. A violência nunca é de bom grado e no entanto sou violentado minutamente por mim, ou por aquilo que chamo de eu que sou quem? Tenho a doença dos pensantes e ainda por cima nasci sonhador; de que adianta um romântico pós-modersnista, pai…?


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