Um samba que jazz: lucubrações latinas americanas; lúgubres tan-tans saem do calor húmido e esvaem até a vociferação da urbe sem tempo de ser triste. Não é triste. Dizem; dito.
Um filho de meia idade e um pai. Cheio de amor e espaço; desvontade e medo. É audível a bons ouvidos:
- Pro caralho!
- Como é andar vacilando e hesitante? Os carros desfilando em petróleo prensado, querendo voltar para seu estado de mineral viscoso ocre; tenro e estático. Pessoas maquinando nos bons trabalhos e ultrapassando tudo e todos para menos tempo em contato com os deprimentes excluídos invisíveis gritantes. Fôlego. Pausa. Tempo. Quero você como meu; não sou mais seu nem quero me tornar igual a ti. Devastar-te-ei como pesquisa antropológica para meu futuro não-ser.
O fio comendo solto, sem dó a borracha tenta derreter o asfalto; o atrito e a gravidade irredutíveis como sempre. Aptidão.
- Como é ser martelado contra diamante pelo tempo? Por que emprestar sua energia vital pra ele? Me instrua. Pai! Te peço uma ação, verbo: Pai!
Os anos de negação e indiferença não vencem a urgência do momento e, pela primeira vez, pai. Ouve a súplica do filho.
- Aconselha-me, toma atitude!
- Te amo – e o empurra ao tapete preto e branco.
Pela primeira vez foi pai. E podia afirmar que dos bons; se realizou mesmo que por alguns segundos – minutos ou mais minutos, não importava-se com o tempo há tempos – pois fez seu filho feliz. Um samba que jazz e a irredutibilidade da gravidade.